Primeira noite sem crise

Primeira-noite-sem-crise

Com algum jogo de cintura, dá para fugir das saias justas — e ter uma primeira vez inesquecível!
Não, não se trata da primeira vez, e sim da primeira transa com aquele carinha que você conheceu na balada, trocou olhares, telefones, conversas… E, quando viu, já estava no carro a caminho de casa para estender a noitada. E aí, o que fazer? Sim, você não é mais inexperiente — já namorou antes, testou muitas posições e brinquedinhos, conhece seu corpo e sabe muito bem o que a faz chegar lá. Sabe quase tudo, certo? Errado. “A gente nunca vai saber tudo no sexo, porque ele nunca é igual. Pode ser semelhante com um parceiro, mas cada pessoa tem uma preferência: de toque, intensidade, posições, repertório…”, explica Giovanna Lucchesi, psicóloga e terapeuta sexual do Instituto Paulista de Sexualidade (IpanSex). Será que mostrar todas as suas armas na primeira noite vai fazer o cara gamar de vez em você ou fazê-lo fugir de espanto? Sim, nós batemos o pé, nos rebelamos contra o padrão de donas de casa, queimamos sutiã em praça pública, conquistamos liberdade, invadimos o mercado de trabalho. E, de quebra, conseguimos derrubar os tabus sexuais — ou ao menos grande parte deles. Mas e os homens? “Eles hoje buscam a mesma coisa que buscavam 30 anos atrás. A diferença é que, em vez de ter que sustentar a família, querem uma mulher independente. Mas também que seja moça legal e com princípios”, afi rma Eliete Matielo, psicóloga, especialista em relacionamento e aconselhamento afetivo e diretora da agência de relacionamento Eclipse Love. É, não adianta se enganar. Mergulhar de cabeça (ou de boca, bumbum…) no discurso “Eu sou liberal!” pode afastar um pretendente. O mais indicado, então, é ter bom senso, ser fiel a seus limites ou vontades e ser observadora dos tabus dele. “O sexo faz parte das relações da vida. Se ela souber analisar o cara, do que ele gosta nas conversas, como trata as mulheres na mesa do bar, se é mais machista ou mais gentil, vai perceber como ele é na cama”, ensina Maria Helena Vilela, educadora sexual e diretora do Instituto Kaplan. Veja a seguir as situações que podem constranger o cara — e como se sair dessas roubadas sem ferir sua dignidade (ou o orgulho dele). Depois, se vai querer uma segunda noitada ou se o lance é de uma noite, a escolha é toda sua!

Ajoelhou, tem que rezar

Você está paquerando o cara há horas. Já dançou perto dele, lançou seu olhar arrebatador e ficou toda alegrinha na hora do papo. Sim, você deu a entender que quer ir embora para fazer coisas mais divertidas. “A mulher não precisa dizer ‘sim’ para um homem interpretar que sim. Ela faz isso com o corpo, a roupa, as atitudes”, explica Camille Paglia, intelectual americana, autora do polêmico livro Personas Sexuais. E mais: não só ele entendeu que você quer como pensa que você vai ser arrebatadora na cama. Mas, na hora do vamos ver, pode ser que a coisa não seja assim tão quente. “A mulher sabe que o sexo agrada ao homem e, às vezes, se mostra muito mais sexual e ativa do que realmente é. Mas depois vem a cobrança — e o resultado pode ser artificial e acabar com a história. O cara transa e dispensa”, diz a educadora sexual Maria Helena Vilela. Claro que demonstrar interesse é legal, mas seja honesta na hora da conquista e do dirty talking. Mostrar-se muito ousada na paquera é criar expectativas de sexo selvagem. Da mesma forma que fingir que é santinha não pega bem se depois você se revelar muito experiente. Seja apenas você.

Pilotando a transa

A liberdade de expressão na cama é um direito de todos: ajuda você a mostrar o que gosta de fazer e colocar seus limites no que não gosta. E, às vezes, acaba rolando de a mulher dominar a situação. Tem homem que adora — sinal de que a moça está animada com a transa. Outros, nem tanto… “Ele pode ficar sem jeito. É como em uma dança: a vida inteira, foi o homem quem conduziu — só se deixa conduzir quem gosta ou quem está seguro de que sabe dançar muito bem”, explica Maria Helena. O ideal é ir testando os limites do parceiro para não forçar um tango a quem está nos passinhos básicos do forró. “Se a mulher entra na história querendo ser superior, o casal perde o controle. Se for sensível, souber analisar e ser sedutora, poderá dar as ordens aos poucos, sem ele perceber”, ensina a especialista.

Sem pecar pelo excesso

Gritar, gemer, variar a posição, encarnar um personagem e arrematar tudo com um “Oh, my Goooood…” — ufa! Calma. Não force a barra nem exagere a performance além da conta. “As pessoas ficam tensas, pressionadas no primeiro encontro. Ele é permeado por tantos receios — será que está bom? Será que isso pode? — que a pessoa perde a espontaneidade, o que deixa o sexo artificial”, diz a terapeuta sexual Giovanna. Leve isto como regra: o que precisa de intimidade ou de um acordo prévio (filmar, usar fantasias, role playing, algemar, bater com muita força e outras excentricidades) não pega bem na primeira noite. Também não precisa avisar o vizinho de três andares acima que você chegou lá. E se o cara cair na risada… Das duas uma: ou vocês desencanam da transa ou riem juntos e aproveitam para deixar esse momento mais descontraído. Fica a dica: escolha a segunda opção…

A hora da virada

Você libera ou não? Sim, o sexo anal divide opiniões — tanto entre as mulheres, que ou amam ou odeiam (ou nunca testaram) liberar a prática, quanto entre os homens, que adoram ou acham isso coisa de mulher “da vida”. Mas o cenário está mudando. “O anal é um sexo como outro qualquer. Só que as pessoas encaram como tabu, coisa para fazer com alguém especial… Mas, se a moça usa camisinha, faz sexo oral e outras coisas, por que o anal causaria problemas? Não é o tipo de sexo que a faz ser melhor ou pior, e sim se ela corresponde às expectativas do cara”, analisa Maria Helena. O mais importante é você estar a fim e conhecer seus limites. Não adianta liberar a retaguarda para agradar ou mostrar “Olha só como sou bem resolvida”. Se a vontade não é genuína — e se o feeling é de que o cara vai achar estranho —, o ideal é mantê-lo entretido no parquinho da frente mesmo.

Bonequinha de porcelana

O apelido não é pela beleza angelical, e sim pelo movimento — ou falta dele — na hora do sexo. Pode chamar também de boneca inflável, geladeira, paradinha. O fato é que uma das coisas que mais incomodam o cara na transa é mulher que não sabe o que faz, mas também não tenta fazer nada. Só fica lá, esperando… “Se ela é muito tímida ou não sabe se expressar sexualmente, tem de entender que o sexo casual talvez não seja uma boa ideia. Ou pode tentar relaxar, compreender que o outro também tem seus medos e receios”, ensina Giovanna. Se você tiver sorte de o cara entender sua timidez, vá lá. Mas, geralmente, eles definem essa transa sem emoção de outras formas: você não está a fi m, você é ruim de cama ou você é frígida. Credo! “Se não estiver gostando, tente conversar, negociar, propor uma mudança de posição. Às vezes o cara também está sem curtir e iria gostar de mudar”, diz a terapeuta.

A pipa não subiu

Vocês estão no maior amasso, quase chegando ao que interessa e… o cara broxa. Como proceder? Não adianta fingir que não viu, porque o cara não é trouxa. E nem mandar aquele papinho “Eu entendo, isso acontece…” — é depressão na certa. Muito menos rir, ficar brava ou ir embora. “Tem de ser espontânea. Diga que ficou desapontada, mas não com ele, e sim com a situação. Não o coloque como culpado, afinal ele não é. Mas expresse que você está aberta a outra oportunidade”, ensina Maria Helena. Converse com ele sobre outras coisas. Falem de música, dos filmes em cartaz no cinema, sobre a vida… Depois, se ainda estiver a fim — e perceber que ele topa —, tente outra aproximação. Com calma e compreensão, a noite pode mudar e terminar numa boa.

Nuvem de lágrimas

Terminou com um namorado há pouco tempo? Quer compensar a tristeza com o combo álcool + sexo casual? Sente dores na hora da transa? Em qualquer um desses casos, cuidado: talvez ir para a cama não seja uma boa ideia. Já imaginou se no meio do esfrega-esfrega você cai no choro? “Cada pessoa sabe seus limites. Cuide de você e não se coloque em situações que podem causar sensações ruins. Se não se sente preparada, não force”, diz Giovanna. Mas, se já aconteceu, respire fundo… e finja que as lágrimas são resultado do enorme prazer desse sexo maravilhoso! Sim, vai ficar estranho e o cara pode não acreditar, mas ao menos você tentou amenizar a barra dele. E a sua…

Muito além da intimidade

A transa acabou e agora tudo o que você quer é abraçar, fazer carinho e falar — e ouvir — coisas fofas, certo? Errado! Não confunda a intimidade física com laços afetivos. “No sexo casual, o cara pensa que a moça também não quer compromisso. Ao ser carinhosa demais, ela mostra a que veio — o que deixa o homem amedrontado, perguntando-se ‘Cadê aquela mulher fogosa? Será que tem dupla personalidade?’ Isso assusta”, explica Maria Helena. Ou seja, forçar a intimidade só vai fazer o cara pensar que você é muito carente ou que está na busca por marido. Nos dois casos, ele vai fugir rapidinho. Se a vontade é de abraçar o Jack e voar na proa do Titanic, lembre-se: o iceberg mora ao lado…

Dormir pode?

Antes, durante ou depois, esse assunto dá pano para manga. Será que pode dormir na casa dele? E ele dormir na sua? “O sexo é uma intimidade, mas as pessoas conseguem encará-lo como prazer e ponto final. Já dormir, enxergam como coisa de casal. Fica confuso. Claro que pode rolar, vai depender da química”, explica Giovanna. Mas há dois casos em que o tiro vai parar no pé. O primeiro é ir embora enquanto o cara dorme. Você sinaliza a ele que odiou a noite e que não quer mais nada com ele — nem ser amiga no Facebook. Se estiver mesmo com pressa, deixe um recadinho! Já o segundo é dormir durante a transa. Sim, acontece — por excesso de bebida ou porque a bateria acabou mesmo. E não dá outra: pega muito mal e é certeza de que seu nome foi parar na lista negra — dele e dos amigos! Fique alerta — e, se bocejar, melhor tomar um energético antes de encarar a cama.

Não encane com isto!

Lingerie sexy? Pega bem. Sutiã de renda? Também. E a calcinha bege? Diz aí: sua resposta instantânea foi “Nem pensar!”, né? Ok, ela não é bonita nem vai fazer maravilhas por você, mas a verdade é que ela também não pega assim tão mal. Nenhum homem vai deixar de transar — e muito menos broxar! — ao vê-la com uma roupa de baixo mais casual. Afinal, ele está mesmo é interessado no que está por baixo…

O mesmo vale para depilação: tem homem que jura de pé junto que nem liga se sua manutenção não está lá das melhores. É claro que os pelos aparadinhos contam pontos positivos, mas o contrário não a descarta da lista do rapaz. Então, se bateu aquele tesão louco, não precisa se reprimir só porque a linha do Equador está toda trabalhada na Floresta Amazônica. No aperto, passa. E depois corra para o salão para surpreendê-lo no segundo encontro.

Menstruação é chato, dá cólica… Mas faz parte da vida. Primeiro, pergunte-se se ficaria confortável ao transar. Se sim, abra o jogo com o cara: você quer, mas está naqueles dias. Ele aceitou? Mãos à obra. Só não se esqueça da camisinha! Ela é obrigatória sempre, especialmente durante a menstruação, quando a mulher está mais suscetível a contrair DSTs. E não, não vai pegar mal nem vai agradar mais o cara se você deixar de usar, pelo contrário.

Com a palavra: os homens!

“Se ela chorar, vou embora na hora! Mesmo que seja de emoção porque tá adorando… Essa é problema”. Thiago Pereira, 32 anos, publicitário.

“Ficar lá parada não é legal nem no primeiro, nem no segundo nem no último encontro. É o único problema definitivo: sinal de transa ruim! Não quero”. Rodrigo Silva, 29 anos, relações-públicas.

“Se a mulher é muito barulhenta, grita muito, me desconcentra. Eu dou risada, corta o tesão. E depois da transa pode até abraçar. Mas chamar de nome fofo é estranho demais. Parece que a menina vai ser louca, vai te perseguir. É até perigoso!” José Neto, 24 anos, advogado.

“Mulher muito atirada, sexo anal, usar fantasias… Isso é coisa para apimentar um relacionamento longo. Na primeira noite, mostra que a mulher é excêntrica. E aí depende do que você espera. Se quer relacionamento, não vai curtir. Já se é para uma noite apenas, tudo bem!” Pedro Fandiño, 24 anos, antropólogo.

“Você tem que conversar e conhecer antes. O que pega não é em cima da cama, é no papo. Tem que ser natural, ser você mesma. Não adianta ficar fingindo ser sexy demais, ser quem não é. Depois cai a máscara e pronto… No fim das contas, a conversa é o que sobra no relacionamento”. Ricardo Osório, 30 anos, bancário.

“Sexo anal na primeira noite é muito avançado. A vida não é um filme pornô!” David Nicholas, 25, economista.

Fonte: Revista Women’s Health

Coração CadastreCadastre-se