“Namoridos”: eles têm muito o que comemorar no dia 12 de junho

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Com um ano e oito meses de namoro, a comissária de bordo Luísa Siqueira, de 22 anos, e o empresário Bernardo Vasconcelos, de 27 anos, começaram a morar juntos. A experiência começou em fevereiro. Ela percebeu que suas roupas tinham tomado metade do armário do namorado e resolveu atender aos apelos dele para evitar o desgaste com o revezamento entre a casa dos pais, em Pendotiba, sua casa onde morava sozinho em Santa Rosa, e as idas e vindas para o aeroporto no Rio.

“Já deixava uma pilha de roupas aqui para quando precisasse levar para as viagens. Às vezes, eu chegava tarde do trabalho e ele pedia para eu ficar, encomendava comida para a gente, dizia que era mais prático para mim, e eu acabava ficando muito mais aqui do que na casa da minha mãe. Foi tudo acontecendo de forma muito natural. Quando dei por mim, já estávamos comprando panelas, joguinho de prato, talheres… mas quem sugeriu foi ele, quando me perguntou se a gente não poderia aproveitar o embalo para morar junto e experimentar um pré-casamento para ir se acostumando com a ideia”, conta ela.

E foi assim que Bernardo foi promovido a namorido. Uma promoção mais do que merecida para ele que sempre soube que tinha encontrado a mulher da sua vida. Com apenas um mês de relacionamento, surpreendeu a namorada com um anel de noivado. Em março de 2016, eles se casarão oficialmente, tudo como manda o figurino: igreja, vestido de noiva e festa.
“Acho a experiência de morar junto muito válida. É um momento para aprofundar os laços, saber como é esta relação que você aposta todo um futuro, fortalecer a intimidade e saber respeitar o espaço um do outro. Considero um amadurecimento para o casal”, avalia Luísa.

É no dia a dia que Luísa e Bernardo vão tecendo a cumplicidade de casal, descobrindo juntos as dores e as delícias da vida a dois. Enquanto ela lava a louça, ele enxuga. Se a missão é dar um jeitinho na casa, ele assume um cômodo, e ela, outro. Se um está com a vassoura, o outro pega a pá. Quando é para ir para a beira do fogão, vão juntos. O orgulho das delícias também é compartilhado. Picanha ao forno com arroz a piamontese e estrogonofe de carne são algumas das especialidades. Quando ela não enche a garrafa de água, ele faz a tarefa, mas com uma observação depois dizendo que ela pode ser mais cuidadosa com isso. “A transparência é essencial”, pontua Luísa.

“Como ela vive na ponte aérea e eu fico até tarde na loja, quando a gente se encontra, procuramos aproveitar ao máximo. Geralmente, optamos por ficar em casa. Os momentos separados por causa do trabalho já são muitos. Nunca tive a menor dúvida de que é com ela que eu quero compartilhar todos os dias da minha vida. Ela sabe exatamente o que eu gosto e alimenta essas fofuras quando estamos juntos. Por exemplo, ela liga para os meus amigos e convida a galera toda para vir aqui em casa jogar videogame. Tem como não amar?”, brinca Bernardo.

A consultora de beleza Michelle Buriche, de 34 anos, e seu namorado, o professor de educação física Gabriel Kelson, 29, também estão experimentando os prazeres de dividir um lar. Eles se conheceram através de um aplicativo de relacionamentos, e depois de um ano de namoro tomaram a iniciativa de morar juntos. Ela dividia um apartamento com uma amiga na Barra da Tijuca. Mas precisou mudar e quando Gabriel percebeu esse movimento em busca de um novo endereço, aproveitou e fez a proposta: “E se a gente morasse junto?”. Ela respondeu com mais uma pergunta: E se eu viesse morar em Niterói?”. Ele finalizou com uma rápida, curta e divertida resposta: “Só se for para ontem!”. E assim a experiência já caminha para o quarto mês.

“Desde o dia do primeiro beijo, não nos desgrudamos mais. Não nos distanciamos nenhum fim de semana sequer. Feriados, ele saía de Niterói e ia para a Barra para ficar só por três horas comigo e voltava para trabalhar. Morar com o Gabriel é fácil. Ele só é bagunceiro, mas se esforça para não ser. É muito companheiro, me apoia em tudo, faz comida quando eu tenho preguiça. E sempre que tem uma folga entre uma aula e outra, vem para nossa casa para tentarmos aproveitar esses intervalos juntos”, revela Michelle, entusiasmada.

Gabriel é do tipo apaixonado mesmo. Para estar sempre com Michelle, comprou mais um violão para ela aprender a tocar. E não só isso: um skate para andarem juntos, luva de muay thai para treinarem juntos, pé de pato, prancha de bodyboard… Sempre posta conteúdos “fofos” marcando a namorada nas redes sociais e, pelo menos uma vez por semana, presenteia a amada com um buquê de flores. É tanta demonstração de afeto que ela diz achar que não falta mais nada para consagrar a união. “Não ligo se não oficializarmos a união. Mais vale todo o afeto do que estas formalidades”, diz. Já Gabriel deixa claro que tem vontade de casar de papel passado. “De preferência, com uma pequena cerimônia na praia”, enfatiza.

“Antes de conhecer a Michelle, tinha uma meta de ficar solteiro para desfrutar de toda liberdade. Mas depois que a conheci pensei que não poderia deixar passar a mulher que eu sempre idealizei ter do meu lado por causa de uma regra que me impus. Quando conto a minha história para os amigos digo que dei sorte no aplicativo. E quero, sim, oficializar a nossa união. Ser casado legalmente proporciona alguns benefícios, como visto para viajar para o exterior e financiamento da casa própria”, defende Gabriel, que em seguida escuta o comentário: “Repare que os interesses para o casamento não têm nada de romântico (risos)”, diverte-se Michelle.

Para Mayara Sodré, 22, e Alan Correa, 26, a decisão de juntar as escovas de dente veio depois que nasceu Mariah, filha do casal, que hoje tem 2 anos. A gravidez não foi planejada, levaram um susto, mas seguiram firmes com o propósito de formar uma família. Alan foi o primeiro namorado da Mayara. Depois que o romance engatou, não ficaram nem dois dias longe um do outro. Ao ver que o bebê crescia na barriga da namorada, tomou a iniciativa de construir uma casa para elas. Não pensava em morar lá, mas quando Mariah nasceu, não resistiu e mudou “de mala e cuia”.

“Eu nunca pensei em ser pai. Não tinha paciência com criança. Mas quando ela nasceu, abracei a paternidade. Quando voltava para minha casa e deixava as duas lá, sentia uma saudade imensa, e resolvi mudar. Foi muita novidade. A vida a dois não é fácil, ainda mais com uma criança. A rotina muda totalmente. De vez em quando é preciso respirar fundo e ter paciência com as reclamações. “A Mayara é muito geniosa. Tem dias que reclama muito da bagunça, mas com criança não dá para a casa ficar perfeita, tem que aprender a relaxar”, diz Alan jogando várias “diretas” para a namorada.

mg2066Michelle Buriche e Gabriel Kelson: muitos presentes e, pelo menos uma vez por semana, um buquê de flores para ela

Mayara, por sua vez, também não economiza no “papo reto”. Confessa, com voz suave, que sim, tem mania de limpeza, mas logo em seguida dispara: “Tem coisas que não dá para não falar, como toalha molhada em cima da cama. Ele mistura a concha do feijão com a do arroz, e por aí vai…”, reclama em tom de brincadeira.
Mas não há bagunça que a faça desistir de um sonho: casar na igreja. Já ele não concorda com a ideia. Diz que não são essas formalidades que garantem a felicidade de um casal. No melhor estilo morde e assopra, Alan argumenta: “A realidade do casamento é a convivência. É saber escutar, reconhecer erros e tentar melhorar. É saber inventar alguma coisa para fazer quando o outro está para baixo. Saber ceder. Para casar basta assinatura e champanhe. Morar junto não. O negócio da Mayara é festa. Ela adora. Não que isso não possa acontecer, mas podemos pensar com mais calma. O mais importante nós já temos: uma casa”.

Se as diferenças entre o casar e o morar junto têm as suas sutilezas na vida de cada casal, quando o assunto migra para o campo jurídico, algumas questões precisam ser observadas. Segundo a advogada Marisa Gaudio, especialista em práticas colaborativas no Direito de Família, pelo Código Civil brasileiro, casais que vivem em união estável têm os mesmos direitos que aqueles que são casados pelo regime de comunhão parcial de bens. No entanto, em relação aos direitos sucessórios, a lei prevê tratamento diferenciado para os companheiros em relação aos cônjuges, gerando debate entre os juristas. Alguns acreditam que essa diferenciação fere a Constituição Federal, que garante tratamento igualitário a todos os casais, independentemente da forma de união.

“Existem diferenças entre a união estável e o casamento no campo do direito sucessório. Aquele que cuida da transmissão de bens, direitos e obrigações em decorrência da morte, tendo o cônjuge mais direitos que o companheiro. No casamento, esses direitos dependerão do regime de bens. Já na união estável dependerá de filhos comuns ou não, entre outras questões. Na união estável prevalece o regime da comunhão parcial de bens, mas pode haver um contrato entre as partes sobre os bens dos companheiros com a mesma flexibilidade admitida no pacto antenupcial”, explica a advogada.

De acordo com Marisa, tanto hetero quanto homoafetiva, a união estável tem previsão constitucional e se caracteriza como uma relação de convivência entre duas pessoas, de forma duradoura, pública e com o objetivo de constituição familiar. “Não é necessária convivência sob o mesmo teto, podem ter domicílios diversos e não é necessário prazo de convivência, nem a existência de filhos”, enfatiza.

Eliete Amélia de Medeiros, heart hunter e diretora da agência de relacionamentos Eclipse Love, acredita que os custos para oficializar um casamento no religioso e no cartório acabam contribuindo para o adiamento do sonho de muitos casais jovens que ainda não alcançaram uma certa estabilidade financeira, mas desejam vivenciar o quanto antes essa experiência. Mas faz um alerta para os riscos de uma união precoce:

“É um risco morar junto precocemente, já que na fase do namoro onde o casal vive em casas separadas, geralmente tem mais sedução, encantamento, planos, desejos… E morar junto e dividir direto as responsabilidades podem quebrar o ritual e encantamento da união. Atendo muitas mulheres que me perguntam se morar junto faz com que o homem desista de um dia oficializar a união e eu digo que tanto o homem como a mulher podem ter a mesma vontade de desistir a qualquer momento. O mesmo acontece no casamento, que não segura ninguém. Se o amor acabar, mas vale a separação, morando junto ou oficialmente casados”, conclui.

Fonte: O Fluminense

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