Histórias de amor que resistiram ao tempo e à distância com final feliz

1
“Agora a gente consegue enxergar que a nossa história aconteceu dessa forma porque a gente precisava amadurecer para ficar junto.” contou Lara Goes, produtora. Foto: Douglas Macedo

“João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Lili, que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes, que não tinha entrado na história”. Assim que o poeta Carlos Drummond de Andrade descreve os relacionamentos, o amor: como uma verdadeira quadrilha, na dança que vai e volta, em um emaranhado de sentimentos. E é nesse embalo de encontros e despedidas que a história da produtora Lara Goes, de 23 anos, e de Pedro Murta, advogado, 25, se construiu. Eles se conheceram em 2002 no colégio e, aos poucos, foi nascendo um novo sentimento.

“No início era papo de criança, mas acabou surgindo uma amizade legal. Um tempo depois, ela se mudou para a França e a gente se distanciou”, relembra Pedro. Tempos depois ao primeiro desencontro, a visita de Lara ao Brasil fez acender algo a mais entre os dois. “Em 2009 eu vim ao Brasil e encontrei um amigo nosso e a gente marcou de sair. Ele também chamou o Pedro e a gente se reencontrou. Nesse encontro tinha rolado alguma coisa diferente. Nós já éramos mais velhos, enxergávamos um ao outro com outros olhos, e começamos a namorar. Mas, logo depois, eu tive que voltar para continuar os meus estudos”, conta Lara.

Depois desse encontro, Lara e Pedro namoraram por quatro anos. Mesmo com a distância, eles se esforçaram para fazer esse amor acontecer. Inevitavelmente, o tempo foi passando e abrindo a distância que existia entre os dois. “Eu comecei a trabalhar, tinha um mundo de coisas novas para me preocupar e ela também. Os nossos horários estavam cada vez mais apertados e a gente não estava fazendo esforço nenhum para que isso acontecesse de fato” diz Pedro.

E esse pode ser um dos principais motivos pelo término de relacionamento, segundo a heart hunter Eliete Amélia de Medeiros. “Os rompimentos entre os casais acontecem principalmente pela falta de conversa. As pessoas estão muito focadas no trabalho e dedicam pouco tempo e paciência para acertar as arestas da relação”, ressalta.

E, a partir de então, o rompimento dos dois pareceu definitivo. “Como tudo conspirava contra, foi preciso, para que essa fosse a última vez que sofreríamos com isso”, completa Lara.

Mas o destino surpreendeu novamente e separou a Lara a oportunidade de voltar e viver por aqui. Só que as intenções dela não estavam em reatar com Pedro. “Viver aqui seria uma oportunidade interessante para trabalhar na minha área. Quando tomei a decisão de voltar, não me preocupei em procurar por ele nem saber como ele estava. Tínhamos interrompido o nosso momento e eu queria que ele continuasse vivendo a vida dele. Era muito consciente na minha cabeça de que não reataríamos”, conta.

Só que foi inevitável. As dúvidas e os traumas permaneceram na cabeça dos dois, mas eles não conseguiriam lutar contra o amor. “Quando voltei, em julho de 2013, e a gente se encontrou e rolou uma dúvida se era indicado ou não a gente voltar com tudo, como se nada tivesse acontecido. E a gente começou devagar, na ideia de só ficar e fazer acontecer aos poucos. Só que era tudo muito forte. A gente entrou nesse relacionamento sabendo que não ia ser como antes. Os dois mudaram e, principalmente, a rotina mudou. Nós pudemos agora mostrar quem somos de verdade um pro outro, com total amadurecimento”, se emociona Pedro.

E tudo não passou de um aprendizado. Tanto para ele quanto para ela. “Agora a gente consegue enxergar que a nossa história aconteceu dessa forma porque a gente precisava amadurecer para ficar junto. Talvez se a gente tivesse a oportunidade de estar junto sempre, na época em que nos conhecemos, não teria dado certo”, enfatiza Lara, que vai ter a primeira oportunidade de passar o Dia dos Namorados sem se preocupar com a data de partir.

Outra história de amor interrompida pela distância é a da médica de 27 anos, Juliana Saidler, e do administrador Marcelo Crispi, 26. Ele morava em Juiz de Fora, quando Juliana foi fazer faculdade em sua cidade. “Nos conhecemos através da internet e marcamos um encontro. A gente acabou ficando e dois dias depois ele pediu para namorar comigo”, conta ela. Mesmo parecendo improvável, a paixão foi arrebatadora e definitiva. “Foi uma paixão muito rápida. Por meses a gente ficou curtindo essa história, como se fosse um conto de fadas mesmo”.

Dois anos e meio depois o destino reservou uma prova para que reforçasse o que um sentia pelo outro. “Me formei na faculdade e passei para residência em Niterói, na Universidade Federal Fluminense (UFF). No início tudo foi muito corrido, porque eu precisava me dedicar a essa nova etapa da minha vida. E eu sentia muito a falta dele, só que a gente sempre dava um jeito de se ver”, conta Juliana.

Para Marcelo, que permaneceu em Juiz de Fora, a vida de cada um foi seguindo mesmo com o coração apertado. “No terceiro ano em que estava em Niterói, ela começou a trabalhar e eu tive a oportunidade de abrir o meu próprio negócio lá. Nossos encontros ficaram cada vez mais esporádicos. Com isso, a gente perdeu até a vontade de estar junto”, relembra Marcelo.

Mesmo com tudo conspirando contra, eles se mantiveram firmes. “Depois de quatro anos de namoro, a gente viajou junto pela primeira vez. Em Fernando de Noronha ele fez a melhor surpresa que eu pudesse imaginar na minha vida: me pediu em casamento”, conta ela. Só que, mesmo noivos, não conseguiram suportar mais a distância. “A gente não tinha muita perspectiva nem sabia o que fazer. Mesmo com esse passo importante tomado, a distância tornou-se um inimigo maior ainda e não conseguimos levar adiante”.

O rompimento, até então, definitivo, duraria sete meses. Os dois sentiram a dor do término e nesse período Juliana chegou a um decisão. “O rompimento de vez fez com que ele seguisse a vida dele e namorar outra garota. Apesar de doloroso, percebi que as nossas vidas eram melhor quando nós éramos namorados. Só que não era justo eu me intrometer em um momento que ele estava descobrindo um relacionamento ao lado de outra pessoa. E eu deixei as coisas assim, fui seguir a minha vida”.

Mas bastou uma mensagem de texto no celular para mudar de vez o rumo desta história interrompida. “No final do ano passado ele me mandou uma mensagem dizendo que ainda gostava de mim. Foi um choque. Ao mesmo tempo em que fiquei feliz, sentia medo. Sabia que ele gostava de mim e eu também gostava dele. A gente só não estava junto porque não tinha como e, ainda assim, na minha cabeça a nossa história tinha acabado e isso tudo faria parte do nosso passado”, destaca Juliana.

Já com a vida estabelecida em Niterói, Juliana não tinha opção de mudar esta situação. Foi preciso que um dos dois abrisse mão de sua vida estabelecida para que essa história desse certo. “Depois de um tempo a gente voltou a conversar e viu que não dava para ficarmos um sem o outro. Daí veio a loucura! (risos) Eu já tinha consciência de que a minha vida estaria estabelecida aqui em Niterói, não tinha como mudar isso. E ele tomou uma atitude definitiva: pediu transferência do trabalho para cá. Essa transferência aconteceu muito mais rápido do que a gente imaginava. Em um mês ele estava aqui. E essa foi a oportunidade que a gente precisava para sermos felizes, juntos”, se emociona ela.

E o final feliz está por vir. “Nosso casamento está marcado para o final do ano. É a nossa oportunidade de, definitivamente, celebrar toda a nossa história. Agora vamos ter a oportunidade de estar um perto do outro, curtindo o nosso amor”.

Segunda chance para ser feliz

Para Eliete Amélia de Medeiros, heart hunter e diretora da agência de namoros Eclipse Love, para um casal decidir reatar o relacionamento é preciso que sejam esquecidas as dificuldades do passado.

“Ficar retomando o motivo da separação não levará o casal a nenhum lugar. Se decidiram reatar, que sigam em frente sem ficar remoendo o passado”, ressalta a especialista.

Recomeçar do zero impede que os traumas da primeira separação impeçam o casal de prosseguir. “A vontade de ficar junto tem que ser mútua; os planos de criar algo em comum, seja uma casa, uma família ou um negócio têm que ser uma realidade para os dois. Quando há respeito, admiração e amor é válido tentar de novo. Não podemos desperdiçar quem nos faz realmente mais feliz”, finaliza.

Fonte: O fluminense

Coração CadastreCadastre-se